quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Ubiquidade Lusa e as Eleições em Portugal

Durante muitos anos, tive a oportunidade de viajar um pouco por todo o mundo. E uma das diversões que tinha em cada viagem era folhear as listas telefónicas que nos disponibilizavam nas mesas de cabeceira dos hotéis para encontrar apelidos de origem portuguesa. Por vezes, eram várias as folhas com Sousas, Almeidas, Albuquerques, Albergarias e outros. Foi assim em Hong Kong, Tóquio, Honululu, Los Angeles, S. Francisco, Nova Iorque, Toronto, Malaca, Singapura e outras cidades. Sentia uma estranha satisfação quando observava aqueles apelidos ali escritos e, por momentos, pensava na ligação que, na linha do tempo, esses nomes tiveram a Portugal.

Sentia então que a Alma Lusa estava um pouco por todo o mundo. As listas telefónicas eram, de algum modo, uma prova actual disso mesmo.

 A Ubiquidade Lusa veio-me à lembrança agora por dois motivos.

O primeiro é que vamos ter eleições, facto que, para quem está longe da Pátria, nem sempre pode ser vivido convenientemente, apesar dos meios de comunicação que temos na actualidade. Deveria haver soluções para que o direito de votar fosse mais fácil para os muitos milhares dos nossos emigrantes. Eles sentem saudades, mas se quiserem exercer o direito de voto têm dificuldades. Por vezes, têm de se deslocar muitas centenas de quilómetros para irem ao Consulado mais próximo, quando o há.

A realidade mostra que a ligação sentimental efectiva dos emigrantes à Mãe Pátria dura apenas uma geração ou duas. Depois, lá ficam os nomes nas listas telefónicas, alguns costumes e pouco mais do que isso. É curioso observarmos, nas nossas vilas e aldeias do interior, as muitas moradias construídas pela vaga de emigrantes dos anos cinquenta e sessenta. Muitas são cópias de típicas casas francesas. Hoje estão fechadas. Acabarão por ficar abandonadas porque as gerações seguintes já não vão querer regressar à terra dos pais ou avós. Quando muito, voltarão ocasionalmente para preencherem o buraquinho da saudade.

A Ubiquidade Lusa não é só uma coisa do passado. É também uma realidade dos nossos dias.

Para grande surpresa minha, há dias, uma amiga chamou-me a atenção para uma entrevista que tinha ouvido na Antena 1,  no programa "Portugueses no Mundo" onde falava uma menina a viver no Panamá que lhe parecia ser minha filha. Fui à procura da entrevista no site da Emissora e tive a sorte de a encontrar. Porque, de uma maneira muito hábil e inteligente, se refere ao problema da eleições, pareceu-me que a sua chamada aqui ao Dicforte é agora muito oportuna.

http://www.rtp.pt/multimediahtml/progAudio.php?prog=3988&clip_mp3=87045

Na entrevista é referida uma determinada fotografia que, por a achar um documento muito interessante, me parece que também merece ser visitada.


Link para o Blogue da Billy:

E como aí se diz, desta vez é proibido "Votar Basura!". Penso que todos estão conscientes disso. A grande dificuldade está no facto de sabermos distinguir o que é, na verdade, o lixo.

"Não votar basura" é assim um interessante mote que a Ubiquidade Lusa nos trouxe do Panamá, onde nem sequer há Embaixada Portuguesa.

Bem, devo confessar que a entrevistada me deixou muito orgulhoso pelo contibuto positivo que já dei para a Ubiquidade Lusa.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O 28.º Encontro dos Reformados do Banco de Portugal

Este ano, os encontros anuais começaram mais cedo, quebrando-se a tradição de o mês de Maio ser considerado o mês de todos os encontros. Com efeito, o encontro anual dos reformados do Banco de Portugal deste ano ocorreu no passado dia 2 de Abril.

Este encontro já está despachado. Não quero dizer, com esta expressão de alívio, que não goste de participar nele. Antes pelo contrário. É que assim já não me obriga a fazer opções, como aconteceu em anos em que coincidiu em datas já ocupadas por outros.

A organização do encontro deste ano teve em conta a situação de crise. Houve mais racionalização e descentralização. Só pôde participar quem se inscreveu a tempo e foram organizados encontros regionais, em vez de um único encontro nacional, para evitar despesas de viagem.


Foi a primeira oportunidade de o novo Governador, Dr. Carlos Costa, se dirigir à vasta plateia dos antigos colaboradores do Banco, que tanto orgulho tiveram em servir tão prestigiada instituição e sentem agora muita emoção e nostalgia quando recordam pessoas e episódios do passado. Pessoalmente fico sempre muito impressionado quando reencontro pessoas que já não via há várias dezenas de anos e que ainda estavam na minha memória com a imagem do antigamente. É difícil sobrepor na imagem de uma bonita colega de antanho, bonita, alegre, jovem e atraente, aquela da mesma pessoa que reencontramos agora, já com cabelos brancos, meio curvada e com uma netinha a acompanhá-la. As pessoas deveriam ter o direito de poder permanecer na forma mais saudável e pujante que, em certo momento, atingiram na linha do tempo das suas vidas.


As palavras simpáticas que o Senhor Governador dirigiu aos reformados tentaram motivá-los para o relevante papel que eles ainda podem desempenhar, lançando-lhes o desafio de se empenharem num voluntariado social coordenado pelo próprio Banco, como quem diz, mexam-se porque ainda podem ser úteis.

Gostei da ideia. Também o voluntariado precisa de estímulos, coordenação e meios de apoio e o Banco pode disponibilizar uma boa parte desses requisitos. É  triste vermos, cada vez com mais frequência, notícias de pessoas que morreram na mais completa solidão e cujos restos só são descobertos vários dias, meses ou até anos depois. O voluntariado pode desempenhar um papel activo na identificação e acompanhamento de pessoas solitárias.


Agradou-me muito a notícia de em breve ir ser reaberto a Refeitório do Rossio. O Refeitório é sempre uma boa razão para ir até à Baixa e encontrar lá amigos. E para mim tem ainda a vantagem de me trazer a boa recordação das vezes que eu lá levava as minhas filhas. Uma ida com o pai à cantina do Banco era um evento muito apreciado por elas.

E não é verdade que a mousse de chocolate que lá era servida nos deixou saudades?