Como já escrevi em postagens anteriores, estou a observar, desde o passado dia 30 de Dezembro, um estranho caso em que as bruxas, com insondáveis desígnios, estão afectar negativamente a PT a vários níveis.
Foi ontem noticiado que a trapalhada da compra da TVI e do alegado apoio à campanha eleitoral do Eng.º Sócrates, usando a Fundação do Luís Figo, levou à auto-exoneração de um dos administradores da Empresa, lá colocado ao abrigo da influência da “golden share” do Estado.
Mais, foi interessante ver na TV dois dos principais responsáveis pela Companhia a darem a cara por ela, salientando, nomeadamente, o bom serviço que presta aos muitos milhares de clientes, com destaque para o serviço de fibra óptica. Mais ainda, foi muitíssimo interessante e educativo ouvir um deles dizer que, nos mencionados processos, se sentia "encornado". Tudo isto e sobretudo o invocado "encornamento" provam que as bruxas estão a dominar a PT.
Mas a referência ao bom serviço da fibra óptica só pode ter sido ironia.
Na verdade, a minha experiência diz-me que este serviço, designado por MEO, que até poderia ser excelente, é instalado de um modo apressado, negligente e com desprezo pelos interesses dos clientes.
Falo com experiência própria. Já tenho neste blogue duas postagens sobre este caso cuja estranheza se prolonga e adensa.
Com efeito, no seguimento do processo para corrigir a má instalação, telefonou-me ontem, às 11h30, uma simpática assistente da PT informando-me de que hoje, dia 18 de Fevereiro, entre as 9h30 e as 10h00 viria um técnico a minha casa para corrigir o erro da afectação do número de telefone. Noto que os dois números em causa, estão completamente desligados há dias, e que, quando marcados, dão origem à interessante mensagem de que não se encontram atribuídos.
Cheio de esperança, fiquei de plantão com o ouvido encostado à campainha da porta. Mas passou hora e meia e ninguém deu sinal.
Pelas 10h30 chegou o carteiro e com ele uma carta da PT. Esta carta, datada de 12 de Fevereiro, diz textualmente o seguinte:
“No dia 2010-02-15, será realizada a alteração do(s) número(s) da(s) linha(s) telefónica(s), conforme abaixo indicado:
De 275941643 para 213961471. A taxa deste serviço, de 13,47 Euros acrescido de IVA, será incluída numa das próximas facturas.”
Assina Bruno Espírito Santo, Director do Departamento de Apoio a Clientes.”
Em espírito de esperar para ver este assunto resolvido, telefonei ás 10h45 para o n.º 16200-9 da PT, onde fui atendido por um assistente que, após ouvir o meu problema, me fez esperar longamente na linha, acabando por reaparecer e me recomendar que esperasse mais algum tempo pelos técnicos, pois estes tinham de facto agendada a visita e não tardariam a chegar.
Uma hora depois, voltei a repetir a chamada. Eram exactamente 11h40 e fui atendido pelo assistente Carlos Almeida que, após me deixar longamente dependurado na linha para ver o que se passava, voltou para me recomendar que esperasse pelo menos até às 14h00 e que, se os técnicos não viessem, pedisse um novo agendamento que poderia ser para uma hora pós-laboral.
O que dizem a isto?
A PT, que foi uma grande Companhia, está assim...
Sem mais comentários porque tudo isto só pode ser obra das bruxas.
E às 14h00 ninguém da PT tinha aparecido. Isto deixa-nos a ideia de que a PT continua a brincar ao Carnaval com os clientes!!!
Às 16h08, telefonou novamente uma assistente da PT (16200-Vanessa Costa-Departamento de Agendamentos) a dizer que afinal os senhores técnicos da PT irão àmanhã, da parte da manhã, entre as 9h30 e as 13h00.... para .... Não houve uma palavra de justificação ou desculpas!!!
É assim!!! Tudo isto só pode ser resultado de uma PT embruxada. A verdadeira PT agiria de um modo diferente.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
A MINHA FREGUESIA SEM PRIOR
No passado dia 24 de Janeiro, o Pároco da minha aldeia despediu-se da população. Ao fim de mais de quarenta e sete anos de trabalho na paróquia, decidiu retirar-se, como qualquer trabalhador, após um tão longo período de trabalho. Eu soube dessa retirada na altura em que aconteceu, mas só hoje pude sentir no local o ambiente de vazio que a sua saída deixou no ar.
Ao meio dia e meia hora parei no Adro, na expectativa de poder ver a Igreja aberta e de assistir à missa. Era um hábito que, para a população local, ocorria há muitas dezenas de anos com destacada pontualidade. Em todos os domingos, ao meio dia e trinta, as pessoas estavam já na igreja, o relógio da torre batia a meia hora, as luzes acendiam, o Prior aparecia e a missa começava. Sempre me lembro de as coisas acontecerem assim.
Hoje pude verificar que algumas pessoas ainda correram em cima da hora para a porta da igreja, agarraram-se desesperadamente à maçaneta da porta rodando-a para a tentarem abrir e não conseguiram. Retiraram-se desiludidas. Seguindo o percurso de regresso abanavam a cabeça claramente desconfortadas. Um mocinho meu conhecido, sempre prestável, viu-nos por ali e correu a averiguar se haveria missa ou não. Regressou pouco depois dizendo que agora só iria haver missa no próximo domingo, às três da tarde.
Naquele momento, senti que a minha Freguesia sem Prior é como um corpo sem alma.
Podemos imaginar a falta que sentirão as pessoas, quase sempre mais idosas, que viam na missa diária, que começava impecavelmente às dezanove e trinta no inverno e às vinte e trinta no verão, a única razão para saírem de casa por breves momentos para uma corridinha até à igreja para regressarem a casa pouco depois.
Que grande falta vão fazer aqueles minutos breves do momento da saída da missa onde as vizinhas e as amigas se cumprimentavam para saber dos doentes e dos ausentes: “Olá vizinha como está, tem tido notícias do seu homem, dos seus filhos, dos seus netos?”
E as notícias vinham naturalmente. Estão bem ou estão assim assim. Por vezes sabiam-se as novidades mais alegres e as mais tristes. Mas era ali o ponto para uma breve conversa diária, e isto há já muitas dezenas de anos. Agora, à hora da missa, que já não a há, sente-se o vazio por já não haver a razão que proporcionava o encontro. A Freguesia sem Prior é agora quase como que um rossio sem gente.
O Prior da nossa Freguesia era uma fonte fidedigna de registos sociais de todos os tipos. Conhecia as famílias e as pessoas das famílias pelo nome, de tantas gerações quantas podem caber num período de quarenta e sete anos. Os melhoramentos, os êxitos e os fracassos, os amores e as desventuras, as traições e as rixas, os crimes de faca e alguidar, que também os houve. Bastava fazer uma pergunta e a resposta vinha sempre com impressionante precisão e detalhe. Com a saída do Prior, a Freguesia assemelha-se agora a um livro de história que, para nossa surpresa, tem a quase totalidade das páginas em branco.
Que irá acontecer às tradições mais bonitas da nossa terra, como eram o Domingo de Ramos, com todo o seu teatro dramático de origem medieval, à Festa da Santíssima Trindade, à Festa do Santíssimo e outras? A quem poderão recorrer os moradores para encomendar as missas em sufrágio dos seus antepassados?
Agora a minha Freguesia sem Prior é como uma capela vazia, sem altares, sem imagens, sem luzes, sem bancos.
A porta do Prior era a única da aldeia a que, numa aflição, se batia, a qualquer hora do dia ou da noite, com a certeza de que não era preciso pagar nada em troca da ajuda que sempre era dispensada, nem que fosse apenas na forma de uma palavra amiga. Agora essa porta está fechada e não adianta bater porque já não há lá ninguém para responder. Assim, a Freguesia sem Prior tornou-se num casarão vazio, silencioso e frio, de portas fechadas e luzes apagadas.
Para quem vive longe e tem alguém idoso a viver na Freguesia era fácil telefonar ao Prior e saber notícias frescas. Era confortante ouvir: “Ainda ontem a vi e pareceu-me rija. Estava na missa da noite”.
Agora, a Freguesia sem Prior é como que um telefone sem sinal de chamada.
E para quem vem apenas de quando em vez à aldeia e tinha o privilégio de poder combinar com o Prior um encontro para um café ou para uma cerveja e dois dedos de conversa, agora, sem ele, a Freguesia ficou muito mais triste e desinteressante porque já cá não podemos contar com a amável disponibilidade do nosso bom amigo P. Gama.
Ao meio dia e meia hora parei no Adro, na expectativa de poder ver a Igreja aberta e de assistir à missa. Era um hábito que, para a população local, ocorria há muitas dezenas de anos com destacada pontualidade. Em todos os domingos, ao meio dia e trinta, as pessoas estavam já na igreja, o relógio da torre batia a meia hora, as luzes acendiam, o Prior aparecia e a missa começava. Sempre me lembro de as coisas acontecerem assim.
Hoje pude verificar que algumas pessoas ainda correram em cima da hora para a porta da igreja, agarraram-se desesperadamente à maçaneta da porta rodando-a para a tentarem abrir e não conseguiram. Retiraram-se desiludidas. Seguindo o percurso de regresso abanavam a cabeça claramente desconfortadas. Um mocinho meu conhecido, sempre prestável, viu-nos por ali e correu a averiguar se haveria missa ou não. Regressou pouco depois dizendo que agora só iria haver missa no próximo domingo, às três da tarde.
Naquele momento, senti que a minha Freguesia sem Prior é como um corpo sem alma.
Podemos imaginar a falta que sentirão as pessoas, quase sempre mais idosas, que viam na missa diária, que começava impecavelmente às dezanove e trinta no inverno e às vinte e trinta no verão, a única razão para saírem de casa por breves momentos para uma corridinha até à igreja para regressarem a casa pouco depois.
Que grande falta vão fazer aqueles minutos breves do momento da saída da missa onde as vizinhas e as amigas se cumprimentavam para saber dos doentes e dos ausentes: “Olá vizinha como está, tem tido notícias do seu homem, dos seus filhos, dos seus netos?”
E as notícias vinham naturalmente. Estão bem ou estão assim assim. Por vezes sabiam-se as novidades mais alegres e as mais tristes. Mas era ali o ponto para uma breve conversa diária, e isto há já muitas dezenas de anos. Agora, à hora da missa, que já não a há, sente-se o vazio por já não haver a razão que proporcionava o encontro. A Freguesia sem Prior é agora quase como que um rossio sem gente.
O Prior da nossa Freguesia era uma fonte fidedigna de registos sociais de todos os tipos. Conhecia as famílias e as pessoas das famílias pelo nome, de tantas gerações quantas podem caber num período de quarenta e sete anos. Os melhoramentos, os êxitos e os fracassos, os amores e as desventuras, as traições e as rixas, os crimes de faca e alguidar, que também os houve. Bastava fazer uma pergunta e a resposta vinha sempre com impressionante precisão e detalhe. Com a saída do Prior, a Freguesia assemelha-se agora a um livro de história que, para nossa surpresa, tem a quase totalidade das páginas em branco.
Que irá acontecer às tradições mais bonitas da nossa terra, como eram o Domingo de Ramos, com todo o seu teatro dramático de origem medieval, à Festa da Santíssima Trindade, à Festa do Santíssimo e outras? A quem poderão recorrer os moradores para encomendar as missas em sufrágio dos seus antepassados?
Agora a minha Freguesia sem Prior é como uma capela vazia, sem altares, sem imagens, sem luzes, sem bancos.
A porta do Prior era a única da aldeia a que, numa aflição, se batia, a qualquer hora do dia ou da noite, com a certeza de que não era preciso pagar nada em troca da ajuda que sempre era dispensada, nem que fosse apenas na forma de uma palavra amiga. Agora essa porta está fechada e não adianta bater porque já não há lá ninguém para responder. Assim, a Freguesia sem Prior tornou-se num casarão vazio, silencioso e frio, de portas fechadas e luzes apagadas.
Para quem vive longe e tem alguém idoso a viver na Freguesia era fácil telefonar ao Prior e saber notícias frescas. Era confortante ouvir: “Ainda ontem a vi e pareceu-me rija. Estava na missa da noite”.
Agora, a Freguesia sem Prior é como que um telefone sem sinal de chamada.
E para quem vem apenas de quando em vez à aldeia e tinha o privilégio de poder combinar com o Prior um encontro para um café ou para uma cerveja e dois dedos de conversa, agora, sem ele, a Freguesia ficou muito mais triste e desinteressante porque já cá não podemos contar com a amável disponibilidade do nosso bom amigo P. Gama.
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