quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O MEU RÁDIO MAIS ORIGINAL

O objecto bizarro representado nesta fotografia é, nem mais nem menos, outro dos rádios de que eu gosto por ser o mais original. E isto porque foi feito por mim.



Tem mais de trinta anos.

É um rádio-galena e tem muitas particularidades.

Antes de mais permite-nos compreender as bases do funcionamento da telefonia sem fios.

Não emite sons estridentes que nos furam os ouvidos.

É absolutamente económico. Teoricamente pode funcionar por toda a eternidade sem que nos leve um cêntimo por custos de energia.

Como assim?

É fácil de explicar.

Este aparelho produz ele próprio a energia que consome. Na verdade, os canudos que se vêem na fotografia com o fio enrolado à volta são bobines indutoras. O fio de cobre está enrolado em espiral e é esta espiral que gera uma certa potência de energia electromagnética que é posta no circuito.

A esse circuito são adicionados mais cinco elementos essenciais:

- Um cristal de rádio ou, numa versão mais moderna do mesmo, um diodo, que permite captar as ondas de rádio;

- Um condensador variável de folhas que permite regular a intensidade da corrente electromagnética no circuito e assim apanhar as correspondentes ondas de rádio;

- Uns auscultadores electromagnéticos que nos permitem ouvir os sons. Estes auscultadores têm de ser mesmo electromagnéticos pois a corrente que os vai accionar é desse tipo. Auscultadores de papel ou de outro material não sensível ao electroíman não servem para o efeito;

- Uma antena aérea;

- Uma ligação à terra, podendo ser usada para o efeito uma das torneiras da casa.

As estações de rádio seleccionadas são bem audíveis com os auscultadores ajustados nos ouvidos. Mas devo dizer que passei muitas tardes e noites a estudar com este rádio a fazer-me companhia com os auscultadores colocados em cima da mesa de estudo. Permitia-me ouvir baixinho a música ou outros programas de rádio que seleccionava suavizando o ambiente.

E tudo isto sem gastar pilhas ou corrente e por tempos sem fim.

Se quisermos aperfeiçoar o sistema podemos inserir no circuito um pequeno altifalante com uma pilha de nove volts, por exemplo, e, então sim, já podemos ouvir o rádio num tom mais alto.

Na actualidade, a construção de um rádio original idêntico a este está facilitada, pois na internet e, nomeadamente, na Wikipédia, há esquemas elucidativos com instruções em relação aos materiais a usar e a cada um dos passos da construção.

Este tipo de rádio, apesar da sua forma bizarra, faz boa companhia e é muito tranquilizador porque emite um som baixinho só audível em completo silêncio. Lembro com saudade o encanto que provocou nas minhas filhas e amiguinhos quando eram pequenitas.

6 comentários:

Mariana Ramos disse...

Muito original!
Faltou dizer que "ofereceste" este rádio à tua filha Billy, em 1982.
Enquanto durou o entusiasmo, foi dela...
Continua!

Billy disse...

Foi meu, o rádio? Que giro! Eu lembro-me muito bem dele mas não me lembro de ser meu. Mas gosto muito de ver aqui o mistério do rádio-galena contado à blogosfera.

Mariana Ramos disse...

Se tiveres uma lupa e sorte, conseguirás ler na placa de madeira que o rádio é da Billy, com data e tudo!
E esta, hein?
Bjs
M

PTuny disse...

Podes ver a foto aumentada. basta clicares com o rato osbre ela.

Bau disse...

Estou a ADORAR esta série! E lembro-me muito bem deste rádio também, uma das muitas engenhoquices do meu Papá querido!

Antonio disse...

Antes de mais quero dar os parabens ao autor pelo bloge pois tambem tive o previlélio de viver o tempo das galenas as quais mederam muito prazer e recordo com saúdade.