domingo, 27 de julho de 2014

Viagem à Terra Santa em 2014 - 7. 26 de Abril, para Jerusalém. 7.2.


7.2. Monte Tabor

Do Local do Batismo ao Monte Tabor são cerca de trinta quilómetros o que, em tempo de viagem de autocarro, foram mais ou menos cinquenta minutos.

O percurso é muito interessante pois envolve a subida de encostas com a estrada a fazer curvas e contra-curvas. Foi uma oportunidade excelente para apreciar as variações da paisagem. E, a certa altura, surgiu o momento apropriado para fazer um último adeus ao Mar da Galileia.

Quando, na véspera, íamos para Nazaré, já tínhamos visto o Monte Tabor de longe. Agora era para lá que nos dirigíamos.

Distingue-se perfeitamente no meio da paisagem por ser o monte mais alto. Mas, contrariamente a muitos outros, está coberto por uma cor mais escura, o que significa que tem muito arvoredo e arbustos. 

À medida que nos íamos aproximando, o Monte aumentava de dimensão e o arvoredo e as casas iam ficando mais visíveis.

Até que o autocarro começou a sua subida, talvez até ao meio da encosta, chegando a um espaço amplo reservado a parqueamento.


O guia explicou-nos que, a partir dali, teríamos de ir nuns  mini-autocarros ou a pé. Excluiu logo esta última hipótese, e saímos para um espaço com uma loja e esplanada onde já havia muita gente, que, pelo aspecto, me pareceu serem os peregrinos etíopes que estiveram connosco no mesmo hotel em Tiberias.
 
 
 A fila estava assim muita grossa e longa e logo suspeitei que seria coisa para demorar. Surpreendentemente o meu iPhone detectou uma rede de internet livre e aproveitei parte do tempo para pôr os emails em dia, assim como para ver as notícias da nossa terra distante. Pensei que o ponto de internet livre fosse facultado no local aos visitantes. Mas podia não ser assim. Verifiquei mais tarde que isso acontecia sempre que estávamos num parqueamento de autocarros, pois uma boa parte dos autocarros são modernos ao ponto de terem rede wi-fi livre para os passageiros, acessível aos vizinhos, quando estão nos parques.

A espera já ia longa e a fila pouco avançava. Ia aproveitando para ver as vistas à nossa volta.
 
 
 Havia mesmo muita gente à nossa frente. Vi o guia Sebastião ficar muito nervoso. A certa altura, entrou em negociações com outros guias para ver se arranjava maneira de nos colar a um grupo mais adiantado. Isso não foi possível e resultou numa grande discussão, com os tons de voz a aumentarem à medida que se iam juntando outros guias. A certa altura veio uma mocinha da casa dos trinta, de altura média, que desencadeou uma gritaria infernal agarrada a um dos cotovelos do Sebastião. Como falavam hebraico não deu para perceber o que ela gritava, mas não devia ser coisa boa. O guia Sebastião libertou-se dela e dirigiu-se logo para o P. Artur pegando-lhe no braço e conduzindo-o para um local mais afastado para uma conversa tipo pé de orelha mas que pude ouvir perfeitamente porque os segui. Ele colocou a opção: ou ficávamos ali para ir lá acima e todo o restante programa do dia ficaria prejudicado, ou sairíamos para o continuar. O tempo de espera para irmos ao cimo do Monte Tabor seria muito longo, podendo demorar horas e, ali, já nós estávamos há mais de uma.

O P. Artur compreendeu a mensagem e logo começou a motivar o grupo para a opção de regresso  ao autocarro.

 E adeus Monte Tabor até uma próxima oportunidade.
 
 
Não tivemos assim oportunidade de reviver in loco o êxtase dos discípulos de Jesus e dizermos que também queríamos montar ali tendas para ficar ....

A partir de pesquisas na net pude ver como é a topografia do cimo do Monte e o que lá existe. Impressionou-me o mapa de acesso com muitas curvas muito apertadas e as fotografias das duas igrejas que lá existem. Para uma delas, creio que a mais importante, segue-se por uma espécie de ponte em pedra com flores e árvores de ambos os lados. Foi uma das torres desta igreja que ainda pude fotografar de lá debaixo, do parque de estacionamento.

Foi pena termos falhado neste objectivo. Se no dia anterior, quando fomos almoçar no Local do Batismo, tivéssemos aproveitado melhor o tempo para revivermos os momentos do batismo talvez tivéssemos chegado mais cedo ao Monte Tabor e não teríamos sofrido a decepção de ter passado ao lado.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Viagem à Terra Santa em 2014 - 7. 26 de Abril. Para Jerusalém. 7.1.


7. 1. O Local do Batismo

O dia 26 de abril começou relativamente cedo, porque a jornada seria bem longa, pois atravessaríamos a Palestina no nosso percurso para Jerusalém.
 
Depois do pequeno-almoço entrámos no autocarro para iniciarmos o nosso dia de trabalho turístico.

A primeira etapa seria até ao Lugar do Batismo no Rio Jordão (Yardenit). Já lá tínhamos almoçado no dia anterior. E, a propósito, já falei dele e do peixe de Pedro.

Hoje a ida a esse local tinha em vista entender melhor a sua dimensão bíblica e recordar o sentido do batismo.

Os doze quilómetros entre Tiberias e Yardenit demoraram a percorrer cerca de um quarto de hora.

Logo à entrada, procurei localizar o painel de azulejos com as citações bíblicas em português, já que deve lá estar no vasto conjunto das diversas línguas. Mas não consegui.

Como o pequeno anfiteatro junto à água do rio estava desocupado, o nosso grupo instalou-se lá para que o nosso P. Artur nos guiasse numa bem sentida recordação do que deve ter sido o batizado de Jesus Cristo e, a partir daí, fazermos a revivescência do nosso próprio batismo com a administração da água do rio sobre as nossas cabeças. Isto foi assim para aqueles que preferiram, pois houve alguns companheiros que optaram por ficar distanciados.



 
O bom P. Artur começou a ler a passagem bíblica de Mateus sobre o batismo de Cristo. Porém, a certa altura, uma franja do grupo ria às gargalhadas devido ao teatro que um casal de chineses estava a fazer para tirar fotografias. Passou ele para a água e ela ia disparando a máquina vezes sucessivas. Ele levantava-se, molhava as mãos e baixava-se e ela ia disparando. Numa das vezes em que se baixou, fê-lo com tanto entusiasmo que molhou o rabo das calças, logo saindo da água apressado a sacudi-lo com as mãos como se estivesse a afastar um enxame de abelhas. A risota foi geral e hilariante e ele aproveitou para se ir sentar entre o grupo e pôr os braços sobre duas das nossas companheiras para que a sua mulher lhe pudesse tirar mais umas fotografias.

Uma vez acalmado o ambiente, o P. Artur continuou. Depois de ler o relato evangélico, proferiu a oração canónica de renovação das promessas do batismo: Credes Credes Credes ? Esta é a nossa fé

E depois, aos que quiseram, administrou a água sobre as suas cabeças.

 


Decorria a molha do nosso grupo e eis que, muito subtilmente, se foi infiltrando uma senhora de aspeto oriental, diria chinesa, com a idade de cerca de cinquenta anos.

De mãos postas e cabeça inclinada, silenciosa, inseriu-se na nossa fila e, chegada a sua vez, viu também a sua cabeça molhada, com o pormenor de que agarrou as mãos do P. Artur e lhas beijou repetidamente, enquanto derramava lágrimas abundantes, cujo calor tocou bem fundo no sentimento do P. Artur, facto que ele não conseguiu esconder, pois a sua voz estava muito emocionada quando se despediu da senhora.

Houve companheiras e companheiros que se descalçaram e se aventuraram mais um pouco passeando nas águas. O fundo estava escorregadio e, por segurança, as pessoas apoiavam-se nuns varões em ferro que existem ali para o efeito. Eu próprio não resisti a esta experiência, tendo verificado que cardumes de peixes pequenos se aproximavam dos meus pés como se já os conhecessem há muito tempo.

 


O nosso ritual foi bonito mas simples, pois, ao lado, havia pessoas vestidas com túnicas brancas, que se alugam no local, e faziam o seu batismo inicial ou a sua confirmação, ou tão só a sua purificação, de acordo com as suas crenças, submergindo-se totalmente nas águas do rio com a ajuda de uma outra pessoa, provavelmente um padre, um pastor, ou outro tipo de entidade religiosa.

 
 
Começámos a ser chamados para regressarmos ao autocarro, mas como de costume, passando pela loja de venda de recordações. Mal começámos o regresso e já estava a ser passado num ecrã o filme da nossa cerimónia, ao preço de 10 euros, tendo alguns companheiros aproveitado para o adquirir.

Para mim e para mais pessoas do grupo, estas lojas de souvenirs foram muito úteis durante a nossa peregrinação, nomeadamente para ir à casa  de banho. Como estava muito calor, tínhamos de beber muita água, pelo que éramos obrigados a usá-las com alguma frequência.

O próximo destino prometia um céu de experiências espirituais pois era, nem mais nem menos, do que o Monte Tabor.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Viagem à Terra Santa em 2014 - 6. 25 de Abril. Em Tiberias. 6.12.

6.12. Tiberias à noite
 A cidade de Tiberias foi, para a nossa peregrinação, apenas um local de passagem e de pernoita. Praticamente apenas vimos a cidade da janela do autocarro quando íamos e vínhamos do Hotel Leonardo Club. Mas deu para ver que é uma cidade importante, talvez a maior da Galileia, com cerca de cinquenta mil habitantes residentes habituais e muitos outros temporários espalhados pelos mais de cinquenta hotéis, alguns bem grandes, como acontece com aquele em que nós estivemos alojados. Aliás este hotel assim como mais dois que estão perto dele são visíveis de longe, distinguindo-se em todas as fotografias da cidade que já vi publicadas. A cidade estende-se pela encosta da colina que desce para a margem oeste do Mar da Galileia e proporciona um excelente quadro visual com muitas cores, em que, de dia, predominam as manchinhas brancas dos prédios com alguns traços de verde à mistura e, à noite, se apresenta como um imenso presépio com miríades de luzinhas.

Dizem os livros que a cidade foi construída pelos anos vinte da era cristã por Herodes Antipas, aquele que apostou numa relação amigável com os romanos, gozando, em contrapartida, da sua proteção, organização e desenvolvimento. Batizou a cidade com o nome que ainda hoje tem em homenagem ao imperador romano Tibério. Creio que este local não foi escolhido ao acaso. Desde tempos imemoriáveis que eram usadas as várias fontes termais, li algures que cerca de vinte, que se tornaram famosas pelas suas comprovadas propriedades curativas. E é conhecido o interesse dos romanos pelas fontes termais em todo o mundo. Por outro lado, era por ali que passava o importante caminho comercial da antiguidade, a via maris dos romanos, que ligava o Líbano e a Síria ao Egito e ao norte de África.
Desde a sua fundação a cidade sofreu muitas mudanças ao sabor das ondas das rebeliões, conquistas se reconquistas que afetaram toda a Terra Santa.

Apesar de Tiberias ser apenas o nosso ponto para pernoitar, não deixámos de sair um pouco a seguir ao jantar para uma caminhada no passeio marítimo e para vermos o ambiente da noite.


 
 
 
 
Logo à saída do hotel, há um jardim com restos de uma igreja bizantina, onde, na primeira noite, estava um animado grupo de turistas a conviver à volta de um bem cheiroso barbecue. Depois virámos para o lado do mar por uma rua cheia de lojas e tendinhas que vendiam desde sumos, gelados e sandes, a roupas, calçado e bugigangas diversas.

 
Depois tínhamos a brisa suave do mar com alguns barcos a carregarem e a descarregarem passageiros que iam passear para verem o lindo panorama noturno da cidade de um pouco mais longe.


Há muitas esplanadas, sendo possível encontrar um bom café expresso, uma boa pisa e cerveja, ou outro tipo de comida de cultura europeia, judaica ou da árabe.
Há vários night clubs, dois dos quais nos pareceram relativamente grandes e muito animados.

Há por ali muita gente, em grupos maiores ou menores, vestidos segundo as suas culturas, o que dá uma colorida diversidade típica ao passeio marítimo, o calçadão da cidade.

Não pode passar despercebido o museu ao ar livre, ou seja, um conjunto de obras de autores conhecidos em Israel, algumas das quais alusivas ao facto de um local estar a mais de duzentos metros abaixo do nível do mar.
 
 
 

Embora o Dicforte não goste de carregar vídeos, não resiste a deixar aqui um pequeno registo do ambiente da noite no passeio marítimo de Tiberias.

Como se pode ver estas imagens foram captadas de  muito longe e só foram possíveis graças ao potente zoom da minha máquina de filmar.

video
 
 
 

 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Viagem à Terra Santa em 2014. - 6. 25 de Abril. Em Tiberias. 6.11.

6.11. As bodas de Canaã.

A distância de Nazaré a Kafar Kanaan é de apenas dez quilómetros o que equivale a vinte minutos de autocarro.

No século XVII o Vaticano reconheceu oficialmente ser esta a localidade do milagre contado por João, em que Jesus, numa boda de casamento, transformou água em vinho, após uma observação de sua Mãe de que os noivos, coitados, já só tinham água e ainda a boda mal tinha começado. Jesus mandou trazer uns potes de água e os noivos tiveram sorte porque Jesus a transformou em vinho da melhor qualidade. Isto aconteceu quando já tinha discípulos, pois João conclui a narrativa dizendo que os discípulos acreditaram nele. É esta a história que está escrita em inglês, em letras garrafais, ao longo da parede de um prédio, no lado esquerdo da rua que nos leva ao local onde se supõe que a historia mencionada na bíblia tenha acontecido.



Hoje a maioria dos moradores da localidade são muçulmanos, mas já houve períodos em que eram maioritariamente cristãos.

Havia uma certa preocupação do guia Sebastião em chegarmos a horas ao local de destino e isso aconteceu. Mal o autocarro parou, foi uma pressão para subirmos a rua de acesso até a um muro bem alto no lado direito onde já se viam as torres de uma igreja.


Mal entrámos no pátio a pressão foi para irmos para uma pequena capela lateral que estava reservada para nós.


Entrámos nela e uma vez sentados, com o silêncio e o ar refrescante, sentimo-nos reconfortados da corridinha para subir a rua, tanto mais que o dia já ia longo e bastante cansativo. O bom P. Artur começou o convívio. Desta vez não era uma missa mas uma reunião em que os casais do grupo se conheceriam melhor, apresentando-se mutuamente. Depois haveria uma reafirmação dos votos matrimoniais com uma benção final.

O P. Artur abriu o convívio no seu traje normal de passeio. Mas o guia Sebastião sentiu-se claramente frustado em relação àquilo que tinha organizado e acabou por levar o P. Artur pelo braço para ir a uma sacristia contígua vestir as roupas de padre. Houve alguma hesitação, diria resistência, do P. Artur, mas o Sebastião foi intransigente. E mais, teve o cuidado de ser ele a acender as duas velas que estavam em cima do altar.

 Padre tem de ir vestir as suas roupas especiais...

 O Sebastião sai depois de acender as velas do altar.

Após a leitura do passo bíblico em que é contado o milagre do vinho, houve o convite para os casais se apresentarem.


E foi bonito ouvir frases como já estou com esta minha Maria há quarenta e três anos e expressões de olhos húmidos com palavras tocadas pela emoção a acompanhar o desabafo de quem tinha perdido o marido há uns meses atrás.

Seguiu-se uma troca de compromisso entre cada um dos casais presentes feitos à maneira de cada um. Um simples calor trocado por mãos dadas, um beijo, um abraço, umas palavras mais quentes, ou tudo em conjunto. Cada um o fez à maneira de cada um.

Seguiu-se a benção solene dos casais e o convívio foi dado por concluído.

Saímos para o pátio do convento e foi a altura de visitarmos a igreja e as ruínas que estão por baixo do altar-mor e da parte lateral esquerda da igreja.



Nas ruínas, são de referir em especial os potes em pedra, provavelmente idênticos aos usados no tempo de Jesus.


Parecem ser bem pesados e, cheios de água, só poderiam ser transportados por pelo menos quatro homens, provavelmente com um arranjo de paus, tipo padiola. Uma cena assim deve ter provocado algum alvoroço e talvez tenha levado os noivos a exclamar o que é que aqueles malucos nos estão para ali a preparar.

Há um costume universal de algumas pessoas lançarem moedas, notas e, por vezes, papelinhos com desejos escritos nos locais míticos e místicos que visitam. Esse facto é bem visível nestas ruínas, por ser numa quantidade apreciável, talvez porque há já muito tempo que esse espólio não é recolhido.


Após a visita às ruínas saímos para o relativamente pequeno pátio em frente da igreja, que se encontrava apinhado de gente. Os portões da entrada estavam fechados. Começámos a ouvir sururu no lado de fora com fortes pancadas nos portões e gritos de pessoas a reclamar que queriam entrar. Provavelmente até teriam hora combinada mas chegaram atrasados. Passaram minutos e ninguém saía nem entrava. A certo momento o nosso grupo obedecendo a indicações não se sabe de quem começou a dirigir-se para um corredor lateral dizendo uns aos que íamos sair por uma das portas das traseiras. Mas logo veio alguém a dizer que por ali não era possível sair. E voltamos para o pátio. Então a confusão deu em que os guias que estavam dentro do pátio clamavam que queriam sair e os que estavam fora batiam nos portões e clamavam que queriam entrar. Até que, a certa altura, veio uma senhora relativamente nova, tipo freirinha, que abriu uma nesga do portão e falou com os guias que estavam fora, acabando por os convencer a abrirem alas para deixarem passar quem estava dentro. E logo que recebeu sinal o guia Sebastiao tomou a dianteira e nós não fizemos mais do que o seguir imediatamente.

Já lá fora, conduziu-nos para uma loja próxima, daquelas que vendem recordações aos turistas. Desta vez porém com o pormenor de que incluiu uma prova de vinhos da zona, cujas garrafas tinham no rótulo a informação em inglês The wedding wine ou seja o vinho da boda de casamento. Creio que a loja se chamava The First Miracle Shop.



Numa das montras de acesso ao local da boda de Canã estava esta fotografia, meio queimada pelo sol, onde são bem visíveis os nossos símbolos do futebol Mourinho e Ronaldo.

E chegou a hora de regressarmos a Tiberias, ao Hotel Leonardo Club, a uma distância de vinte e dois quilómetros, cerca de meia hora de caminho. No percurso o guia Sebastião foi dando as indicações em relação ao jantar e aos procedimentos para o dia seguinte, com destaque para levarmos as bagagens bem cedinho, às sete e meia da manhã, para serem logo carregadas no autocarro enquanto tomávamos o pequeno almoço.

Chegamos ao hotel ainda com sol o que deu para ver mais uma vez o Mar da Galileia e tirar mais algumas fotografias com as cores do entardecer.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Viagem à Terra Santa em 2014 - 6. 25 de Abril. Em Tiberias - 6.10.

6.10. O 36.º Companheiro

Sempre que o nosso guia Sebastião contava o Grupo, chegava ao número 35 e dizia estão todos.

Mas na verdade nós éramos 36, pois andava connosco um companheiro que, sempre que havia celebrações religiosas, assistia a elas em local privilegiado, nem mais nem menos do que em cima do altar.

Esta história é deliciosa e estava para a não contar. Mas, na hesitação, sentia pena por o não fazer, e decidi-me a partilhá-la. Creio que aqui ainda vou a tempo. Mais à frente já seria tarde demais.

Estamos sentados no autocarro para irmos para Canaã. Mas vamos esperar um bocadinho para apresentar o nosso 36.º companheiro.

Já na nossa primeira missa, na Igreja do Carmelo, eu tinha reparado que uma das nossas companheiras colocara em cima do altar um lindo Menino Jesus. E fez o mesmo agora na missa da Igreja da Anunciação. E durante o passeio pelo espaço da Basílica da Anunciação e a Igreja de José reparei que andava com o Menino Jesus ao colo como se fosse uma verdadeira criança.

Comecei por lhe perguntar se tinha comprado o Menino na Terra Santa e ela respondeu que não, que o tinha comprado há anos em Fátima e que agora anda sempre com ela nas viagens à Terra Santa. Que costuma ir sempre com o P. Artur e que esta era já a décima segunda viagem. (Estou certo aqui? Ouvi bem?).

Fiquei comovido porque reparei que ela andava a mostrar ao Menino os locais onde ele passou os primeiros anos da sua infância. Achei enternecedora esta história e pedi-lhe para tirar uma fotografia ao seu Menino Jesus, o nosso 36.º companheiro de viagem, pedido a que ela acedeu com visível satisfação.

Esta fotografia foi tirada junto à Gruta da Anunciação.


Na missa na capela do Convento do Monte Carmelo

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Viagem à Terra Santa em 2014 - 6. 25 de Abril. Em Tiberias. 6.9.

6.9. A Igreja de José

Ao sair da Basílica da Anunciação pela porta lateral direita - é neste lado que se encontra a fachada principal da Basílica - vamos dar a um amplo espaço com vários pontos de interesse. Desde logo um fosso com algumas ruínas praticamente junto a essa porta. Seguindo em frente, temos à direita a relativamente longa fachada do convento que pega com a Basílica. Vamos encontrar uma linda imagem de Nossa Senhora em mármore branco, que nos faz lembrar a Senhora das Graças. E logo a seguir está uma fonte moderna com várias bicas que jorram pelo muro de ardósia preta, um quadrado, num muro de pedra clara.


Subimos algumas escadas e chegámos a um espaço ajardinado e desafogado e logo vemos a Igreja de José.

Há ali alguns slides explicativos, nomeadamente um com o título Jesus' Relatives, onde se dá uma ideia da ascendência nobre de Jesus, como descendente de David.


Depois há vários painéis com explicação da localização das ruínas históricas e da implantação da igreja sobre elas.


Esta igreja foi construída em 1914 no local de uma antiga igreja do século XII.
As lojas, silos e poços do piso inferior eram usadas pelos antigos habitantes de Nazaré. Mais tarde os cristãos transformaram este sítio num local de culto.
Viajantes que visitaram este local no século VII referenciaram-no como sendo o sítio da "Carpintaria de José".
Mais tarde a tradição levou a identificar o local como sendo a "Casa de José".



Placa deixada no local em 20 de Maio de 1944 por alunas da academia militar polaca com votos de que a sua pátria fosse libertada do domínio opressor.


O interior da igreja é sóbrio e senti-me ali como na casa de Família de Jesus. Para isso contribuíram as lindas pinturas da sagrada família, os efeitos da luz, o aspeto da cobertura que faz lembrar o telhado de uma casa de família, e uma linda imagem de S. José com o Menino Jesus enquanto criança, talvez com uns oito ou nove anos. É bem bonita esta imagem.





Descemos depois por uma escada que passa por debaixo da capela-mor onde estão as ruínas que se supõe terem pertencido à casa da Sagrada Família e, um pouco ao lado, a oficina de José.




Nas ruínas destaca-se uma bonita pintura que se encontra na parede, que não sei por que se encontra ali, pois parece ter sido pintada já muito mais tarde, aquando da construção da igreja pois tem o mesmo estilo e as cores tipo das pinturas das paredes da capela-mor.

Ao sairmos da igreja e já no regresso, aproveitei para ver melhor e fotografar os medalhões ao longo do jardim com a história da Anunciação, tendo cada medalhão uma inscrição alusiva em latim.






Na imagem anterior, José olha apreensivo para esta inscrição a seus pés.

Saímos do complexo onde se encontra a Igreja de José e regressámos à Basílica, desta vez para irmos ver com mais tempo a Gruta da Anunciação, facto que já documentei na postagem anterior.

Ao sair verifiquei que o frade franciscano das confissões estava no último banco de madeira sentado ao lado de uma jovem senhora, a conversar com ela. Um pouco atrás estava um grupo também de jovens senhoras, o que me levou a comentar baixinho que ele ia ter muito trabalho.

Começámos a descer a rua e alguns companheiros aproveitaram para ir entrando nas lojinhas. Reparei que já lá não estavam os clérigos muçulmanos na sua exaltada pregação.

Os nossos guias iam puxando pelo grupo e, ao fundo da rua, virámos à direita, para seguirmos para uma das lojas do conhecimento do guia Sebastião para a compra de recordações. Mas só compra quem quer e a grande vantagem é que têm ar condicionado, às vezes uma bebida refrescante e casas de banho asseadas. E têm sempre pessoal muito simpático que fala bem inglês, e, por vezes, também português. E gosta de ajudar… Negócios à parte.

Como a temperatura não estava assim tão elevada, muitos dos companheiros preferiram sair para o passeio e ver a cidade a passar.

O autocarro chegou alguns minutos depois para nos levar a um novo ponto de interesse: o das Bodas de Canaã.