Lá longe, na Ponta Oeste da Ilha da Madeira, Concelho da Calheta, onde, há alguns anos atrás, era muito difícil chegar, fomos descobrir agora a surpreendente Casa das Mudas, ou antes o “Centro de Artes Casa da Mudas”. É um museu de alto nível, só possível porque há homens que nunca esquecem a terra onde nasceram. Neste caso, é o Comendador Berardo, o mesmo já mencionado neste Blogue a propósito da exótica Quinta dos Budas.
Graças às modernas vias de comunicação, este interessante museu da Ponta do Oeste madeirense alcança-se em meia hora. Por estar tão integrado na paisagem, pode até acontecer que passemos na estrada e não demos por ele. Mas depois de detectado, ficamos estupefactos por cada passo que damos e cada descoberta que fazemos.
Um portentoso e musculado bronze de Brotero aparece como que a querer sair de uma cratera vulcânica.
À medida que nos aproximamos, somos invadidos por sucessivas sensações pelo aproveitamento que é feito do espaço, pelos quadros artísticos que se vão gravando no nosso cérebro, pelas vistas deslumbrantes que se alcançam e pela fabulosa colecção de arte que vamos descobrindo no interior do Museu. Lá dentro chegamos a perder a noção da localização e somos possuídos pela impressão de que estamos numa galeria de uma grande cidade europeia, como Paris ou Londres. Mas não. Postos os pés firmes em terra, estamos numa longínqua coordenada de um dos mais remotos pontos da Ilha da Madeira.
O projecto do edifício, com cerca de 12.000 m2 de área coberta, é da autoria do arquitecto Paulo David, nomeado para a edição de 2005 do prémio de arquitectura contemporânea Mies van Der Rohe.
É um bom exemplo da descentralização da arte.
No interior do Museu, encontramos uma fabulosa colecção representativa da Art Déco que contribuiu para que a vida da classe média dos anos vinte e trinta do século passado fosse menos monótona e desinteressante.
As inovantes formas de publicidade, a criatividade no desenho de mobiliário e utensílios, a procura de soluções de conforto e das coloridas e artísticas formas de representação das figuras de pessoas e animais, com amplo recurso às civilizações antigas do Mediterrâneo, especialmente a egípcia, são perfeitamente reconhecidas na exposição.
Está de parabéns o Comendador Berardo pelo notável contributo que deu para o desenvolvimento da sua remota terra madeirense.
Quem me dera ter posses como ele para poder fazer algo semelhante pela minha modesta aldeia da Beira Interior, cada vez mais desertificada.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Chegar ao Funchal e sentir um vendaval
Chegámos ao Funchal no passado dia 29 de Dezembro ao começo da tarde. Estava uma ventania muito forte que até nos dificultou a abertura das portas de entrada no Hotel. Já por detrás da vidraça do quarto, pude observar as rajadas fortes da ventania que varriam tudo, agitando os arbustos num rodopio de burburinho. Pude ver um taxista que, mal abriu a porta do carro para ir ajudar uma cliente a sair, ficou sem o boné que foi projectado para longe pelo vento como se fosse um projéctil. E vi algumas pessoas a quererem andar e a não conseguirem sair do mesmo sítio.
E assim pude sentir um vendaval no sentido próprio.
Mas verdadeiramente o que quero deixar aqui registado é outro vendaval que senti, este em sentido figurado.
Eu tinha visitado a Madeira no Verão de 1976 e agora encontrei esta bela Ilha tão mudada, para melhor, como se por lá tivesse passado um muito forte e bom vendaval.
É certo que trinta e quatro anos representam muito tempo. Para a grande maioria das terras, as mudanças nesse período de tempo, até poderão não ter sido muitas. E, em certos casos, as que ocorreram até podem ter sido para pior. Na Madeira não foi assim.
Em 1976, podíamos visitar a Ilha por estradinhas muito estreitas e cheias de curvas, onde a segurança requeria motoristas bem experimentados. Nessa altura, estava ainda em força a propaganda contra os continentais. Havia grafitti a chamar-lhes cubanos e a sentenciar que, para entrarem na Madeira, tinham que ter passaporte válido. Havia a sigla da FLAMA (Frente da Libertação Armada da Madeira) escrita por muitos recantos, aqui e ali acompanhada da bandeira que se dizia ser a da Madeira Independente, muito idêntica à posteriormente adoptada pela Região Autónoma. O Tio Alberto era, na altura, uma pessoa desconhecida. Ou não. Talvez fosse conhecida na clandestinidade.
Estas referências que então observámos não impediram que pudéssemos ter visitado a Ilha livremente. Não sentimos, aliás, qualquer constrangimento. E posso dizer que viemos de lá encantados.
Agora, ao encanto associa-se o espanto pelos importantes melhoramentos encontrados. Não senti o pavor da travagem brusca do avião ao aterrar, pois a pista é muito mais longa. Há extensas vias rápidas com viadutos e túneis.
Há teleféricos. Na baixa do Funchal, há muita luz e animação. Apreciei sobretudo as cores e figuras do presépio monumental em frente da Sé. Gostei de visitar a aldeia temática com alguns animais vivos e ver longas bichas de turistas a disputar a característica poncha, licor feito a partir de aguardente de cana. E adorei ver uma banda filarmónica de jovens que, divertidos, tocavam, cantavam e dançavam num palco do passeio marítimo. E, claro, não poderia deixar de mencionar o espectacular fogo-de-artifício da passagem de ano.
Gostei de ir ao Jardim do Tio Alberto. De lá trouxe margem para descontar as afrontas que ele faz aos Silvas continentais. Parabéns para ele. Que Deus lhe dê saúde para continuar a defender e a melhorar a sua terra.
E assim pude sentir um vendaval no sentido próprio.
Mas verdadeiramente o que quero deixar aqui registado é outro vendaval que senti, este em sentido figurado.
Eu tinha visitado a Madeira no Verão de 1976 e agora encontrei esta bela Ilha tão mudada, para melhor, como se por lá tivesse passado um muito forte e bom vendaval.
É certo que trinta e quatro anos representam muito tempo. Para a grande maioria das terras, as mudanças nesse período de tempo, até poderão não ter sido muitas. E, em certos casos, as que ocorreram até podem ter sido para pior. Na Madeira não foi assim.
Em 1976, podíamos visitar a Ilha por estradinhas muito estreitas e cheias de curvas, onde a segurança requeria motoristas bem experimentados. Nessa altura, estava ainda em força a propaganda contra os continentais. Havia grafitti a chamar-lhes cubanos e a sentenciar que, para entrarem na Madeira, tinham que ter passaporte válido. Havia a sigla da FLAMA (Frente da Libertação Armada da Madeira) escrita por muitos recantos, aqui e ali acompanhada da bandeira que se dizia ser a da Madeira Independente, muito idêntica à posteriormente adoptada pela Região Autónoma. O Tio Alberto era, na altura, uma pessoa desconhecida. Ou não. Talvez fosse conhecida na clandestinidade.
Estas referências que então observámos não impediram que pudéssemos ter visitado a Ilha livremente. Não sentimos, aliás, qualquer constrangimento. E posso dizer que viemos de lá encantados.
Agora, ao encanto associa-se o espanto pelos importantes melhoramentos encontrados. Não senti o pavor da travagem brusca do avião ao aterrar, pois a pista é muito mais longa. Há extensas vias rápidas com viadutos e túneis.
Via Rápida do Aeroporto para o Funchal
Há teleféricos. Na baixa do Funchal, há muita luz e animação. Apreciei sobretudo as cores e figuras do presépio monumental em frente da Sé. Gostei de visitar a aldeia temática com alguns animais vivos e ver longas bichas de turistas a disputar a característica poncha, licor feito a partir de aguardente de cana. E adorei ver uma banda filarmónica de jovens que, divertidos, tocavam, cantavam e dançavam num palco do passeio marítimo. E, claro, não poderia deixar de mencionar o espectacular fogo-de-artifício da passagem de ano.
Gostei de ir ao Jardim do Tio Alberto. De lá trouxe margem para descontar as afrontas que ele faz aos Silvas continentais. Parabéns para ele. Que Deus lhe dê saúde para continuar a defender e a melhorar a sua terra.
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