A série é a das rainhas de Portugal e a fora dela é a Rainha D. Leonor de Lencastre (02-05-1458 a 17-11-1525), mulher de D. João II, ambos primos por serem netos de D. Filipa de Lencastre e de D. João I. Foi, na sua época, uma mulher com uma formação e cultura fora do comum. É considerada, como bem sabemos, a Mãe dos Pobres e a Fundadora das Misericórdias.
No passado sábado, tive oportunidade de visitar o Hospital Termal das Caldas da Rainha, o Museu anexo e a contígua Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, numa viagem muito bem organizada pela Associação de Residentes de Telheiras (ART), aberta também aos amigos destes.
Nós habituamo-nos a passar pelos locais onde, por vezes, notamos que há coisas interessantes. Mas raramente nos preocupamos em parar e vê-las mais em pormenor. Isto porque decidimos deixar essa observação para outro dia, ou porque não sabemos da existência de esquemas organizados que nos poderiam permitir vê-las à luz de uma explicação feita por quem sabe.
Já passei várias vezes pelas Caldas da Rainha, mas creio que só lá parei uma vez e por pouco tempo.
Desta vez, fomos lá de visita dedicada para ver o Hospital Termal.
Uma senhora do Hospital muito bem formada e esclarecida acompanhou-nos na visita, guiando-nos com método, saber, capacidade e entusiasmo. Valeu a pena, pela explicação e pela oportunidade de descer a locais normalmente não acessíveis ao público.
A visita aumentou e cimentou a minha admiração por essa grande Senhora que foi a Rainha D. Leonor. Ela pensou e escreveu os fundamentos reguladores das Misericórdias, com uma organização tão bem desenhada que ainda hoje permite que essas instituições funcionem e desempenhem um importante papel no apoio social do nosso País e em muitos locais de além-mar. Lembro-me, por exemplo, da Santa Casa da Misericórdia de Macau, que é lá uma poderosíssima instituição assistencial, obra directa do Bispo D. Melchior Carneiro, mas segundo o modelo criado pela Rainha D. Leonor. E tenho presente, ainda, a Santa Casa da Misericórdia do Fundão, de que, aliás, sou irmão.
Neste tipo de visitas, os guias transmitem normalmente muitas informações que achamos mais ou menos interessantes e que podemos reconfirmar mais tarde nos folhetos de divulgação dos locais. Contudo, por vezes, há guias mais bem apetrechados que nos surpreendem com informações não habituais.
Nesta visita, a nossa guia transmitiu-nos muitos dados já trabalhados pelo seu esforço pessoal.
Achei particularmente interessante o momento em que, estando os visitantes à volta da Piscina Real das Inalações, os pôs a adivinhar sobre quanto tempo demorará uma gota de água a descer desde os cumes da Serra dos Candeeiros, onde é depositada pelas nuvens, até aparecer a borbulhar quentinha e com cheiro medicinal a ovos podres, no fundo daquela piscina, depois de descer às entranhas da terra, ser aí fervida e propulsada para o exterior. Houve quem adiantasse cinco anos, trinta e trinta e cinco. Ninguém se atreveu a ir mais além.
Piscina Real das Inalações
A guia esclareceu, no fim, mencionando fundamentados estudos de catedráticos, que uma gota de água gastará, nesse percurso, cerca de sete mil anos. É obra!
Os nossos “Bem Hajam” à ART e às boas Amigas Teresa e Natália, pelo seu dedicado empenhamento na organização desta visita.