É sabido que, na Beira Interior, há bons restaurantes, muitos dos quais se interessam por valorizar receitas antigas locais, usando produtos regionais. Há vários e é fácil encontrá-los. Após alguma experiência, há uns tantos que passam a fazer parte da nossa lista dos preferidos. Um ou outro ficam-nos familiares. Já conhecemos as suas ementas e os seus sabores e vamos variando conforme os apetites. E tudo decorre dentro do normal.
Pelo menos é assim que pensamos. Mas, por vezes, temos surpresas. Foi o que aconteceu comigo no passado sábado, quando encomendei um “arroz malandrinho de cabrito”. Ao princípio tudo parecia normal. Mas depois...
O aroma permitia adivinhar algo diferente. E, de facto, assim aconteceu. Um arroz desprendido, com o paladar do arroz de cabrito que a minha Mãe fazia nos anos cinquenta, por altura das grandes festas, quando tinha oportunidade de matar um dos seus cabritinhos. Desprendido, cozido até ao ponto em que nos dá prazer mastigá-lo, com a carne bem temperada e apurada, sem o incómodo de encontrarmos pequenos bocadinhos de osso que nos fazem desesperar quando inadvertidamente os trincamos.
Não estava no meu plano beber vinho, mas não resisti a um tinto da Quinta dos Termos.
Este arroz malandrinho foi uma iguaria que me deixou consolado e me transportou aos dias das festas rijas do antigamente na minha aldeia.
Por esse regalo, os meus agradecimentos e parabéns aos amigos Carlos Couto e mulher, donos do Restaurante Hermínia do Fundão. Até à próxima!!!
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domingo, 29 de agosto de 2010
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