O Panamá não seria um destino das minhas preferências para ir passar um dia de férias. Ainda me lembro bem dos tempos tumultuosos do fim do século XX, principalmente de um nome que, com má reputação, ficou conhecido à escala planetária: o General Noriega. Para mim o Panamá era um país de risco a que só iria por obrigação, profissional ou outra.
Mas no meu caso, não me ficaria bem dizer que fui lá obrigado. A verdadeira razão, há que dizê-lo, foi a necessidade de encontrar tranquilidade. E acho que alcancei o objectivo. Na verdade, com um filha lá, tendo na lembrança muitas referências negativas, não dormia descansado.
É certo que a tecnologia, com destaque para o Skype, aproximam as pessoas. Mas agora é diferente. Já conheço os sítios por onde a minha filha se movimenta e por onde faz as suas rotinas. Vi o ambiente e as pessoas. E, no fim, trouxe de lá mais paz de espírito.
Pensava que o sobressalto que sentia antes de lá ir era só meu, próprio de pai galo. Mas acho que é comum a todos os pais e mães que têm filhos nas mesmas circunstâncias. E que até é muito comum, pois uma boa parte da nossa "geração à rasca" tem de emigrar. A minha geração investiu as suas economias na educação dos filhos e eles agora estão "à rasca" ou porque não arranjam trabalho ou porque têm de emigrar para ganharem a vida, enfrentando o desconhecido. Os pais, no geral, ficam em sobressalto.
Durante a minha estadia no Panamá, tive a oportunidade de aí encontrar uma jovem, filha de um quase patrício amigo. E, na minha última ida à minha terra, senti o interesse que os seus pais tiveram em falar directamente comigo para ouvirem notícias dela. Já lhes tinha mandado uma fotografia do nosso encontro ma sisso não foi suficiente.
Fiquei comovido quando vi os olhos da mãe marejados a ouvir-me fazer o relato do nosso encontro. Não tirou os olhos das minhas palavras. E, no fim, limpou umas lagrimitas, respirou fundo e disse simplesmente: "Agora fico mais descansada!".
Os pais são assim. Acredito que os meus amigos, quase patrícios (de Peraboa!!!), não tardarão a ir ao Panamá ver a filha. Pelo meu lado, acho que fazem muito bem. Eu próprio penso voltar para ver mais alguma coisa do que me ficou por ver desse bonito País, e, claro, para matar saudades da filha e do genro.
Em tempos, ouvi contar que um dia perguntaram a uma mãe que tinha muitos filhos, de qual é que ela gostava mais. A pergunta foi fácil mas a resposta foi difícil. Mas ela deu-a. E disse que gostava de todos por igual. Contudo, preocupavam-na mais uma filha que estava doente e dois dos filhos que estavam ausentes pois tiveram que emigrar para terras distantes.
É assim a vida, Menina, o que é que se há-de fazer...
Com esta pequena nota emocional, concluo o relato da minha viagem ao Panamá.
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quarta-feira, 16 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
Panamá 2011 - Linda cidade, linda baía, mas sem praias
A cidade do Panamá tem uma linda baía cheia de recortes. Quando a maré está a encher, o mar fica coberto de longas linhas paralelas fazendo lembrar os efeitos que o vento faz nas searas dos campos alentejanos. Depois, a partir de certa altura, alguns dos traços paralelos ficam brancos, à maneira de um telhado meio coberto de neve.
À noite, a baía tem ainda mais encanto porque fica povoada de muitos milhares de pequenas luzes, desde a costa até à linha do horizonte, onde se alinham os muitos barcos que aguardam a sua vez de entrar no Canal.
Mas quando a maré está baixa, a baía mostra uma imensa mancha de lodo fedorento e o melhor é estar longe.
A Cidade do Panamá não tem praias, o que é compensado por um grande número de piscinas. Quem quiser ir a banhos de mar tem de viajar de avião para as Caraíbas ou ir de carro à procura de uma praia, por uma centena de quilómetros ou mais, pela estrada que vai na direcção da Costa Rica.
Foi isso que fizemos no sábado, 19 de Fevereiro de 2011, com a vantagem de termos podido atravessar a Ponte das Américas que une a parte norte do Continente à parte sul, separadas pelo Canal. Ir ao Panamá e não atravessar esta ponte é quase o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa.
A estrada que seguimos não é uma auto-estrada, se bem que tenha duas vias de cada lado. Durante muitos quilómetros, foi a cena do pára arranca. Soubemos depois que tudo era devido a um camião com um longo atrelado que tinha avariado.
Das várias praias possíveis, escolhemos à sorte e fomos dar à Praia do Coronado, a oitenta e dois quilómetros da capital.
A primeira surpresa que tivemos foi que toda a zona é um enorme condomínio fechado, reservado exclusivamente a condóminos e residentes. Normalmente teríamos de nos identificar à entrada. Mas naquele dia, como estavam com empeendimentos em venda, entregaram-nos um folheto de promoção e deixaram-nos passar.
Há construção até ao limite da areia da praia. Algumas moradias estão mesmo alcantilhadas sobre a praia. De quando em quando, podemos mesmo dizer que, com muita raridade, há como que umas quelhas estreitas que permitem aos residentes que não têm as moradias junto à praia e aos visitantes aceder à mesma.
A chegada à areia decepcionou-nos. Por um lado, tínhamos ainda fresca a recordação das praias de San Blas das Caraíbas. Por outro, esperávamos encontar areia branca e águas serenas e transparentes. Mas o que vimos foi uma praia de areia preta, muito semelhante à Praia de Hac Sa de Macau, e um mar com águas agitadas e turvas, com ondas traiçoeiras que faziam redemoínhos de envolvimento.
Não havia banheiros, nadadores salvadores, bandeiras de sinalização ou equipamaneto de salvamento. Quem quisesse ir à água tinha de o fazer por seu próprio risco.
As gaivotas são mais pequenas que as do nosso Algarve e menos ruidosas.
Na areia da praia apanhava sol uma comprida e linda iguana das Caraíbas que posou o tempo suficiente para a podermos fotografar.
Apesar de tudo, a Praia do Coronado deixou-nos boas recordações, porque, além do mais, fizemos lá um excelente piquenique, onde o manjar mais apreciado foi o feijão frade da minha quinta da aldeia, a Capinha, bem regado com azeite da minha produção. Foi um regalo.
À noite, a baía tem ainda mais encanto porque fica povoada de muitos milhares de pequenas luzes, desde a costa até à linha do horizonte, onde se alinham os muitos barcos que aguardam a sua vez de entrar no Canal.
Mas quando a maré está baixa, a baía mostra uma imensa mancha de lodo fedorento e o melhor é estar longe.
A Cidade do Panamá não tem praias, o que é compensado por um grande número de piscinas. Quem quiser ir a banhos de mar tem de viajar de avião para as Caraíbas ou ir de carro à procura de uma praia, por uma centena de quilómetros ou mais, pela estrada que vai na direcção da Costa Rica.
Foi isso que fizemos no sábado, 19 de Fevereiro de 2011, com a vantagem de termos podido atravessar a Ponte das Américas que une a parte norte do Continente à parte sul, separadas pelo Canal. Ir ao Panamá e não atravessar esta ponte é quase o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa.
A estrada que seguimos não é uma auto-estrada, se bem que tenha duas vias de cada lado. Durante muitos quilómetros, foi a cena do pára arranca. Soubemos depois que tudo era devido a um camião com um longo atrelado que tinha avariado.
Das várias praias possíveis, escolhemos à sorte e fomos dar à Praia do Coronado, a oitenta e dois quilómetros da capital.
A primeira surpresa que tivemos foi que toda a zona é um enorme condomínio fechado, reservado exclusivamente a condóminos e residentes. Normalmente teríamos de nos identificar à entrada. Mas naquele dia, como estavam com empeendimentos em venda, entregaram-nos um folheto de promoção e deixaram-nos passar.
Um bonito prtão de uma das moradias da Praia do Coronado
São muitos quilómetros de moradias térreas com jardim, piscina e, por vezes, campos de ténis. Junto à praia há pelo menos dois grandes empreendimentos altos em propriedade horizontal. Há uma rua paralela à linha da costa e os privilegiados que aí têm as suas moradias têm acesso directo à praia. Os outros têm o acesso dificultado. Há construção até ao limite da areia da praia. Algumas moradias estão mesmo alcantilhadas sobre a praia. De quando em quando, podemos mesmo dizer que, com muita raridade, há como que umas quelhas estreitas que permitem aos residentes que não têm as moradias junto à praia e aos visitantes aceder à mesma.
A chegada à areia decepcionou-nos. Por um lado, tínhamos ainda fresca a recordação das praias de San Blas das Caraíbas. Por outro, esperávamos encontar areia branca e águas serenas e transparentes. Mas o que vimos foi uma praia de areia preta, muito semelhante à Praia de Hac Sa de Macau, e um mar com águas agitadas e turvas, com ondas traiçoeiras que faziam redemoínhos de envolvimento.
Não havia banheiros, nadadores salvadores, bandeiras de sinalização ou equipamaneto de salvamento. Quem quisesse ir à água tinha de o fazer por seu próprio risco.
As gaivotas são mais pequenas que as do nosso Algarve e menos ruidosas.
Na areia da praia apanhava sol uma comprida e linda iguana das Caraíbas que posou o tempo suficiente para a podermos fotografar.
Apesar de tudo, a Praia do Coronado deixou-nos boas recordações, porque, além do mais, fizemos lá um excelente piquenique, onde o manjar mais apreciado foi o feijão frade da minha quinta da aldeia, a Capinha, bem regado com azeite da minha produção. Foi um regalo.
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